quarta-feira, maio 26

Cinema

Dogville – a condição humana sob perspectiva

Notável demonstração da psique humana, o filme Dogville nos faz concordar com o filósofo Immanuel Kant, e suas pessimistas considerações acerca da natureza das pessoas. Nunca o homem foi tratado de forma tão densa, sutil e nem por isso menos cruel nas telas de Hollywood.

O filme é um retrato da gradativa degradação moral dos habitantes -aparentemente virtuosos - de uma cidadela no interior dos Estados Unidos. Ao decidirem acolher em seus domínios uma fugitiva, dócil, cordata e dependente, os moradores da cidade vão revelando aspectos até então desconhecidos de seu caráter, como omissão, hipocrisia, coação física e psicológica. O filme mostra como o poder sobre o outro pode ajudar a desmascarar as pessoas e fazê-las esquecer qualquer pseudocivilidade. São 180 minutos que não entediam, apesar da proposital ausência de cenas externas e precariedade de cenários. E cabe deixar uma ressalva: se já valeria a pena ver o filme por sua admirável análise psicológica, acredite: o final surpreende ainda mais.

Vanessa Riambau Pinheiro

terça-feira, maio 25

Rascunho Literário

Esta coluna tem por objetivo divulgar o trabalho de autores ainda não conhecidos. Nesta semana apresentamos o Cesár Dias. Melhor do que escrever sobre o autor, é ler um de seus poemas.

Abraços,
Carlos Carreiro

2ª Conjugação

Te conhecer, aos poucos,
sem saber, sem ter um porquê, apenas viver
e esquecer os sofreres do ser,
às vezes te ter e reter,
noutras reter-te (me),
conter-te (me),
ser container ser,
a maduro ser,
amado amadurecer.
Com o prender,
compreender (te) (me),
perceber (te) (me),
ler (te) (me) e reler (te) (me).
Um Baco que teme ,
que tem-me ,
que sonha em ter-te,
um Apolo a prender (te) (me)
apreender (me) (te) para Ser ser,
aprender você.

César Pinto

segunda-feira, maio 24

Editorial de apresentação

Neste número de lançamento, roubaremos a atenção e o tempo dos nossos leitores para falarmos um pouco deste projeto. A Rascunho Transversal é a realização de um projeto que teve sua semente plantada há um ano. É verdade, há um ano um grupo de amigos que acreditam na valorização da arte e da cultura para a construção de um mundo mais digno, queria revolucionar o mundo. Crescemos um pouco neste curto período e descobrimos que hoje não se faz mais revoluções, mas aprendemos também que mudanças continuam sendo feitas.

A proposta

Em 1991, na edição número 2 da Resgate – Revista de Cultura – o editorial relembrava que a Resgate tinha “o propósito de ser uma das (poucas) revista interdisciplinares de cultura hoje disponíveis no país?. Essa temática interdisciplinar de cultura proposta pela Resgate incentivou e norteou os propósitos da Rascunho Transversal. Nessa perspectiva, pensamos em realizar um trabalho que passe através, que siga em direção oblíqua, transversa; que corte transversalmente a cultura e a arte contemporânea, pós-moderna. Um rascunho de revista que atravessa a cultura na obra de arte contemporânea, proporcionando e incentivando os debates transversais, isto é, através de uma interdisciplinaridade com outros assuntos. Pois temos a concepção de que a arte e a cultura não podem ser vistas individualmente. As idéias são rascunhos transversais que se completam.

Diante dessa proposta, e sem recursos financeiros, encontramos na Internet a melhor maneira de divulgar o nosso trabalho neste inicio da jornada. O modelo da revista, ainda em design modesto, usa a tecnologia de Blog, uma nova maneira de expressão na rede mundial e porque não de expressão artística. É um formato recente, que propicia a troca de experiências e faz do diário intimo um livro aberto.

Como funciona?

A revista inicia todas as segundas com um editorial e mais um texto refletindo sobre a cultura ou comportamento atual. Diariamente a revista será atualizada com um texto tratando de critica literária, cinema, fotografia, música ou artes plásticas; foi reservado um dia da semana para abrirmos espaço para os novos escritores apresentando aos leitores uma produção textual curta (crônicas poesias ou contos).

Estamos contando com os comentários, críticas e sugestões de todos.

Um forte abraço.
Carlos Carreiro