segunda-feira, junho 21

Parada para Reestruturação

A Rascunho Transversal foi um projeto que teve início como experimentalismo, e continua com este enfoque, mas através dos comentários de alguns leitores, colaboradores e amigo percebemos que necessitamos remodelar o site para que possamos aliar estética e conteúdo, ou melhor design e artigos. Os trabalhos para reformulação já iniciaram e por este motivo não temos postado novos artigos.

Como o trabalho de reestruturação demorará um pouco mais do que tinhamos em mente, decidimos publicar o que chamaremos de mini-comentários, sobre os temas já citados no Editorial de Apresentação, mas sem o aprofundamento necessário. Esses mini-comentários serão retomados em segundo momento com acrescido do aprofundamento necessário.

Qualquer dúvida, sugestão ou crítica serão recebidas com satisfação.

Um forte abraço,
Carlos Carreiro
carreiro@gmail.com.br

terça-feira, junho 1

Crônicas de Rubem Braga

Análise de "Batismo" e "O homem e a cidade"

Após a leitura desses dois textos, consegue-se identificar, além do estilo do autor, as características peculiares desse gênero denominado “crônica”.
É sabido que a crônica se modificou muito desde o seu surgimento até hoje, porém ainda se encontram, nas crônicas modernas, resquícios das antigas. Na época do seu surgimento, a linguagem destes textos tinha um caráter documental, devido a sua publicação em jornais e folhetins. As duas crônicas que analiso não têm mais este caráter, no entanto sua linguagem também é concisa e de fácil compreensão, não havendo excesso de ornamentos nem frases muito elaboradas.
Outra característica da linguagem dessas duas crônicas é o empenho do autor em dar-lhes um cunho literário: não são textos informativos e sim textos nos quais se percebe um certo lirismo, e que, ao relatar situações do cotidiano, adquirem ares de obra de arte.
Tanto em “Batismo” como em “O homem e a cidade” o autor trabalha com sutilidade as belezas do cotidiano, que, às vezes, passam despercebidas: em “Batismo”,tem-se o relato de um homem que, andando na praia, vê uma mulher brincando com seu filho; em “O homem e a cidade”, um narrador em primeira pessoa narra o redescobrimento do prazer de andar pelas ruas do centro da cidade, lembrando da amada que se foi. Não há, portanto, um enredo propriamente dito, no qual várias ações se desenvolvem, há apenas a descrição de fatos triviais escritos de tal forma que suscitam reflexões.
Devido à brevidade e concisão da crônica, essas reflexões se dão em um nível acessível que está ao alcance do homem comum, não é preciso ser um intelectual nem se dedicar a longos estudos para que se apreenda o significado de uma crônica.
É importante também notar que a crônica, assim como qualquer obra que se pretenda literária, é polissêmica e faz uso de símbolos. A mulher vista na praia em “Batismo” pode ser vista como uma metáfora da natureza – é uma mãe transmitindo o seu legado para a cria que propagará a sua espécie: “Assim, com a silhueta cortada contra a luz que se reflete no chão molhado, ela parece estar nua com seu menino. É apenas uma jovem fêmea que ensina o mar e o mundo à sua cria; transmite-lhe a experiência da espécie e o sentimento dos deuses; na sua graça matinal esse batismo tem ma beleza solene”.
Da mesma forma, o trivial passeio pelo centro em “O homem e a cidade”, tem o seu significado, ele serve de estímulo à introspecção e à saudade da mulher amada: “E vou andando, tomo um café, sinto uma grande ternura pela cidade grande onde outrora te amei tanto, tanto, oh! Para sempre perdida Leonora”.
A crônica é uma forma de literatura que vem se difundindo e popularizando a cada dia. Temos hoje cronistas famosos como o próprio Rubem Braga, Luis Fernando Veríssimo e Fernando Sabino, por exemplo.

Jaqueline Bohn Donada

quarta-feira, maio 26

Cinema

Dogville – a condição humana sob perspectiva

Notável demonstração da psique humana, o filme Dogville nos faz concordar com o filósofo Immanuel Kant, e suas pessimistas considerações acerca da natureza das pessoas. Nunca o homem foi tratado de forma tão densa, sutil e nem por isso menos cruel nas telas de Hollywood.

O filme é um retrato da gradativa degradação moral dos habitantes -aparentemente virtuosos - de uma cidadela no interior dos Estados Unidos. Ao decidirem acolher em seus domínios uma fugitiva, dócil, cordata e dependente, os moradores da cidade vão revelando aspectos até então desconhecidos de seu caráter, como omissão, hipocrisia, coação física e psicológica. O filme mostra como o poder sobre o outro pode ajudar a desmascarar as pessoas e fazê-las esquecer qualquer pseudocivilidade. São 180 minutos que não entediam, apesar da proposital ausência de cenas externas e precariedade de cenários. E cabe deixar uma ressalva: se já valeria a pena ver o filme por sua admirável análise psicológica, acredite: o final surpreende ainda mais.

Vanessa Riambau Pinheiro

terça-feira, maio 25

Rascunho Literário

Esta coluna tem por objetivo divulgar o trabalho de autores ainda não conhecidos. Nesta semana apresentamos o Cesár Dias. Melhor do que escrever sobre o autor, é ler um de seus poemas.

Abraços,
Carlos Carreiro

2ª Conjugação

Te conhecer, aos poucos,
sem saber, sem ter um porquê, apenas viver
e esquecer os sofreres do ser,
às vezes te ter e reter,
noutras reter-te (me),
conter-te (me),
ser container ser,
a maduro ser,
amado amadurecer.
Com o prender,
compreender (te) (me),
perceber (te) (me),
ler (te) (me) e reler (te) (me).
Um Baco que teme ,
que tem-me ,
que sonha em ter-te,
um Apolo a prender (te) (me)
apreender (me) (te) para Ser ser,
aprender você.

César Pinto

segunda-feira, maio 24

Editorial de apresentação

Neste número de lançamento, roubaremos a atenção e o tempo dos nossos leitores para falarmos um pouco deste projeto. A Rascunho Transversal é a realização de um projeto que teve sua semente plantada há um ano. É verdade, há um ano um grupo de amigos que acreditam na valorização da arte e da cultura para a construção de um mundo mais digno, queria revolucionar o mundo. Crescemos um pouco neste curto período e descobrimos que hoje não se faz mais revoluções, mas aprendemos também que mudanças continuam sendo feitas.

A proposta

Em 1991, na edição número 2 da Resgate – Revista de Cultura – o editorial relembrava que a Resgate tinha “o propósito de ser uma das (poucas) revista interdisciplinares de cultura hoje disponíveis no país?. Essa temática interdisciplinar de cultura proposta pela Resgate incentivou e norteou os propósitos da Rascunho Transversal. Nessa perspectiva, pensamos em realizar um trabalho que passe através, que siga em direção oblíqua, transversa; que corte transversalmente a cultura e a arte contemporânea, pós-moderna. Um rascunho de revista que atravessa a cultura na obra de arte contemporânea, proporcionando e incentivando os debates transversais, isto é, através de uma interdisciplinaridade com outros assuntos. Pois temos a concepção de que a arte e a cultura não podem ser vistas individualmente. As idéias são rascunhos transversais que se completam.

Diante dessa proposta, e sem recursos financeiros, encontramos na Internet a melhor maneira de divulgar o nosso trabalho neste inicio da jornada. O modelo da revista, ainda em design modesto, usa a tecnologia de Blog, uma nova maneira de expressão na rede mundial e porque não de expressão artística. É um formato recente, que propicia a troca de experiências e faz do diário intimo um livro aberto.

Como funciona?

A revista inicia todas as segundas com um editorial e mais um texto refletindo sobre a cultura ou comportamento atual. Diariamente a revista será atualizada com um texto tratando de critica literária, cinema, fotografia, música ou artes plásticas; foi reservado um dia da semana para abrirmos espaço para os novos escritores apresentando aos leitores uma produção textual curta (crônicas poesias ou contos).

Estamos contando com os comentários, críticas e sugestões de todos.

Um forte abraço.
Carlos Carreiro